Diabinho capturado

Leo DuLac

Acrílico sobre impressão 3D, 2025
7,5 cm
||| R$ 85,00
Vendido

Encerrado em vidro como um amuleto profano, o pequeno Cramulhão transforma-se em relíquia folclórica e objeto de superstição. A criatura, suspensa entre brinquedo, ex-voto e demônio doméstico, carrega o humor inquietante das antigas lendas engarrafadas.

Escultura executada em técnica mista com impressão 3D, pintura acrílica, vidro, resina epóxi e cerâmica fria, deriva da obra original Cramulhão, reinterpretada aqui como objeto-aprisionado/relicário. Assinado pelo artista na base, a escultura tem ao total 12 cm, sendo o cramulhão em torno de 6 cm.

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Diabinho Capturado transforma a figura demoníaca popular em um pequeno espécime aprisionado, preservado como curiosidade ou evidência de uma superstição esquecida. Encerrada dentro de um pote de vidro, a criatura assume uma presença ambígua: ao mesmo tempo caricatural e inquietante, cômica e ritualística. A obra evoca a tradição dos objetos mágicos guardados em recipientes — pequenos demônios domésticos, talismãs proibidos ou entidades mantidas sob vigilância silenciosa.

Derivado da peça original de mesmo nome, o diabinho parece comprimido dentro do recipiente, sentado em espera, como se tivesse sido recém-capturado ou mantido ali por medo de sua fuga. A tampa de cortiça reforça a ideia de contenção artesanal, aproximando a peça de antigos frascos de boticário, amostras de gabinete de curiosidades ou objetos encontrados em feiras esotéricas populares.

A impressão 3D funciona como estrutura inicial para uma intervenção manual marcada pela pintura acrílica e pelo acabamento irregular da peça. Em vez de ocultar totalmente a materialidade do processo, a obra preserva parte de sua textura e artificialidade, criando um contraste interessante entre tecnologia contemporânea e imaginário folclórico ancestral. O resultado situa o objeto entre escultura, brinquedo, fetiche ritual e arte fantástica.

Com humor sombrio e espírito lúdico, Diabinho Capturado brinca com a antiga necessidade humana de domesticar aquilo que assombra. Reduzido ao tamanho de um pequeno souvenir infernal, o demônio deixa de representar ameaça absoluta para tornar-se objeto de coleção, superstição portátil e relíquia improvável de um folclore imaginário.

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